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Dupla excepcionalidade: Altas Habilidades ou Superdotação com TDAH, dislexia ou TEA

jussaraviei
há 6 dias
2 min de leitura

Um estudante pode ter Altas Habilidades ou Superdotação e, ao mesmo tempo, uma condição que dificulta a aprendizagem, como TDAH, dislexia ou Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quando as duas coisas convivem, falamos em dupla excepcionalidade. É um dos perfis mais difíceis de perceber, e por isso um dos que mais precisam de um olhar cuidadoso.


Um lado esconde o outro

Na dupla excepcionalidade, o potencial e a dificuldade costumam se mascarar. Isso acontece de três formas comuns:

  1. O potencial esconde a dificuldade. O estudante usa a inteligência para compensar. Vai bem o bastante para ninguém se preocupar, mas gasta uma energia enorme para isso e fica muito abaixo do que poderia.

  2. A dificuldade esconde o potencial. As dificuldades chamam toda a atenção. A escola e a família só enxergam o que falta, e o talento passa despercebido.

  3. Um anula o outro. O estudante parece mediano em tudo. Nem o potencial nem a dificuldade aparecem com clareza, e ele não recebe apoio em nenhum dos dois lados.


Como isso pode aparecer

  • Ideias brilhantes na fala e muita dificuldade para colocar no papel.

  • Raciocínio rápido em temas de interesse e grande desorganização com prazos e materiais.

  • Vocabulário rico e leitura lenta ou trabalhosa.

  • Conhecimento profundo sobre um assunto e dificuldade nas relações com os colegas.

  • Desempenho muito irregular: ótimo em algumas tarefas e travado em outras que parecem mais simples.

Essas combinações geram frustração. O estudante percebe que entende muito e, mesmo assim, não consegue mostrar. Sem compreensão, isso pode virar insegurança, desmotivação ou a sensação de que "tem algo errado comigo".


Enxergar os dois lados

O cuidado na dupla excepcionalidade é não escolher um lado só. Trabalhar apenas a dificuldade deixa o estudante sem desafio e sem o espaço onde ele se sente competente. Trabalhar apenas o potencial deixa a dificuldade sem apoio.

O caminho costuma combinar:

  • estratégias para a dificuldade, como organização, apoio à leitura e à escrita, outras formas de mostrar o que aprendeu;

  • desafios na área de interesse, que mantêm a motivação e a autoestima;

  • uma escola informada, que entende que o mesmo estudante pode precisar de adaptação e de enriquecimento ao mesmo tempo.


Um trabalho em rede

A identificação da dupla excepcionalidade envolve olhares diferentes. Diagnósticos como TDAH e TEA são feitos por médicos e por outros profissionais habilitados. A Psicopedagogia contribui olhando para a aprendizagem: como o estudante aprende, o que dificulta esse processo e quais estratégias favorecem.

No meu trabalho, esse acompanhamento acontece em parceria com a família, com a escola e, quando necessário, com outros profissionais que acompanham o estudante. Se você suspeita que seu filho ou sua filha vive essa combinação, vamos conversar.

 
 
 

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