Por que tantos superdotados escondem o próprio potencial

Parece estranho, mas acontece muito: a criança que lia tudo aos cinco anos chega ao fundamental fingindo não saber as respostas. A adolescente que adorava matemática para de levantar a mão. Esconder o próprio potencial é um movimento comum entre estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação.
Por que isso acontece
Para pertencer. Na infância e principalmente na adolescência, ser aceito pelo grupo pesa muito. Se saber muito vira motivo de apelido, a saída mais rápida é parecer igual aos outros.
Para não parecer exibido. Muitos ouvem desde cedo que é feio se destacar. Passam a diminuir o que sabem para não serem vistos como arrogantes.
Por medo de errar. Quando todos esperam que você saiba, errar pesa mais. Para alguns, é mais seguro não tentar do que arriscar e decepcionar.
Por cansaço. Ser sempre "o que sabe" na turma, ajudar todos os colegas e ouvir "você não precisa estudar" também cansa.
O preço de se esconder
Quem esconde o potencial por muito tempo pode deixar de reconhecer as próprias capacidades. A motivação cai, os interesses ficam guardados e, às vezes, a autoestima sofre. Na escola, esse estudante também deixa de ser percebido e, portanto, de receber o que precisa.
Sinais para observar
mudança brusca de comportamento: participava e deixou de participar;
notas que caem sem uma dificuldade aparente;
interesse intenso em casa que não aparece na escola;
falas como "não quero ser diferente" ou "não conta para ninguém".
O que a família pode fazer
Abra espaço de fala sem julgamento. Pergunte como é estar na turma, e não só como foi a prova.
Valorize o esforço e a curiosidade, mais do que a nota ou o "ser inteligente".
Mostre que errar faz parte de aprender. Contar dos seus próprios erros ajuda.
Ajude a encontrar pares: atividades em que os interesses dela ou dele sejam comuns, e não estranhos.
Converse com a escola. Professores atentos podem criar desafios sem expor o estudante diante da turma.
O objetivo não é que a criança ou o adolescente mostre o tempo todo o que sabe. É que ela ou ele se sinta seguro para ser quem é. Se esse cenário parece familiar, o acompanhamento psicopedagógico pode ajudar a família a entender o que está acontecendo e a construir esse caminho.



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